Kosovo: Um jogo de xadrez

A província do Kosovo, que declarou indepedência no dia 17/02/08, transformando-se em país, faz parte da Sérvia, uma das seis repúblicas que formavam a antiga República Federal da Iugoslávia – com Bósnia-Herzegovina, Croácia, Eslovênia, Macedônia e Montenegro.

O sociólogo Demétrio Magnoli, doutor em geografia humana pela USP, lembrou que no Kosovo os sérvios foram derrotados pelo Império Otomano (originário da atual Turquia) no século 14, na chamada batalha do Kosovo, que se tornaria um símbolo da resistência e do nacionalismo sérvios.

E é aqui que inicia-se um interessante jogo de xadrez:

Os kosovares são mulçumanos porque na época da dominação otomana eles deixaram o Cristianismo e se converteram ao Islamismo para obter benesses e ascensão social – tornar-se cavaleiros do Império Otomano. Por isso massacraram os eslavos (sérvios), quando foi preciso, nos séculos de dominação otomana.

Hoje os ocidentais e a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) defendem os mulçumanos do Kosovo. Entretanto, a Rússia não vai deixar os sérvios, que são eslavos, na mão, para serem agredidos pelas forças ocidentais da OTAN.
Assim, a Sérvia não vai ficar sem o Kosovo e vai massacrar, o quanto puder, os mulçumanos do Kosovo pois se sentem mais do que no direito de fazer isso.
“A Sérvia jamais reconhecerá a independência do Kosovo”, declarou o presidente sérvio, Boris Tadic, no dia 17/02/08, após o parlamento kosovar ter votado e aprovado, por unanimidade e aclamação, a proclamação de independência desta província do Sul da Sérvia.

Eis aqui a dificuldade: se a OTAN não defender os kosovares eles serão massacrados e este seria mais um massacre ocidental contra os muçulmanos (lembremos do Irã, Iraque, Afeganistão…). Mas, se defender, o ocidente vai se “indispor” com a Rússia.

Soma-se a isso tudo a questão da unilateralidade.
Por que a votação da independência do Kosovo não foi realizada na ONU? (onde normalmente se discutem e votam as novas independências).
Porque prevaleceu a posição unilateral dos dirigentes do Kosovo, e americanos e europeus sobrepuseram as normas que eles próprios aprovaram?

Segundo Manuel Monteiro: “o que se prepara com esta pseudo independência não é a libertação de um povo, mas a apropriação de um território, onde impera o crime organizado, para aí o imperialismo instalar as suas bases. Com duas finalidades: primeira, reforçar a sua posição (EUA) de polícia dos povos e exploração das suas riquezas; segunda, ganhar terreno na disputa que trava com a Rússia por zonas de influência.”

Parece que a Europa tem mais uma guerra às suas portas.

Segundo Paulo Baccarin: “Não foi por acaso que, cerca de 600 anos depois da batalha do Kosovo, em 1914, um outro nacionalista sérvio, Gravillo Princep, matou o dominador da época, o Arqueduque herdeiro do Império Austro-Hungaro, Francisco Ferdinand, dando início à Primeira Grande Guerra.”

“Kosovo não existiria se não fosse a decisão da União Européia em apoiar a sua independência. E esta decisão é bastante problemática, porque o que se abre é uma ‘caixa de Pandora’, da qual sairão coisas imprevisíveis”, disse o sociólogo Demétrio Magnoli.

Acompanhemos esse jogo de xadrez!!!

Fontes:

http://port.pravda.ru/mundo/23-03-2008/22125-kosovoimperial-0
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2108663,00.html 
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/02/17/materia.2008-02-17.2360229125/view

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