China já pensa no futuro sem estímulos do governo

O imenso pacote de estímulo adotado pela China vai dar fôlego para o país crescer pelo menos 8% em 2009 e 2010, mas os economistas começam a se perguntar o que vai acontecer depois que a torneira do gasto público e do crédito barato for fechada, no fim do ano que vem.

O grupo dos pessimistas afirma que a China não conseguirá manter o mesmo ritmo de crescimento e terá de se acomodar num patamar mais baixo, de 5% a 7%. “A contração no déficit dos EUA leva necessariamente à contração do crescimento chinês. Isso só não ocorreu em razão do pacote de estímulo, cujo efeito deverá durar por dois anos”, diz o mais célebre representante dos céticos, o economista americano Michael Pettis, professor de finanças da Universidade de Pequim.

Do outro lado estão os que acreditam na manutenção de uma taxa próxima de 8%, desde que os países desenvolvidos tenham uma pequena reação no crescimento. Nesse grupo está a economista-chefe do Banco UBS na China, Wang Tao, para quem a China tem munição para manter o alto crescimento, como a ampla oferta de mão de obra e de capital. Pelo menos nos próximos anos, a expansão não voltará aos níveis de 10% a 13% do período de 2002 a 2008, mas poderá girar em torno de 8%, acredita Wang.

O que diferencia as duas visões é o peso que cada grupo atribui às exportações e à dependência dos EUA. Pettis afirma que o consumidor americano não voltará a demandar produtos da China na mesma proporção verificada nos últimos anos. Com a redução das compras de seu maior cliente, o país asiático teria de se reestruturar e se adaptar a um ritmo de crescimento mais baixo que a média anual de quase 10% das últimas três décadas.

O brasileiro Roberto Dumas Damas, representante do Itaú BBA em Xangai, concorda com Pettis. Segundo ele, o pacote de estímulo do governo chinês está acentuando os desequilíbrios da economia local, com aumento do já enorme peso dos investimentos como motor de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). “No futuro, isso só vai funcionar se os consumidores americanos voltarem a consumir e a se endividar como no passado, o que é improvável. Quem vai usar essa infraestrutura que está sendo construída? Quem vai comprar os produtos que serão fabricados?”, pergunta Dumas.

Mas, para Wang Tao, a queda nas exportações terá um impacto no crescimento menor do que o que geralmente se supõe. A economista ressalta que as vendas externas respondem por 20% do PIB, já que o processamento de bens fabricados em outros países responde por metade das exportações. “A China não depende de capital externo ou de capital relacionado à exportação para crescer. Ela tem poupança doméstica. E a China ainda está em um estágio inicial de desenvolvimento, com um PIB per capita de US$ 3,5 mil”, observa Wang.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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