Pizzaria Brasil

pizzaDepois de um longo dia de trabalho, sempre que chego em casa nunca há o que comer.

Seguindo a minha rotina, fui a uma pizzaria para desfrutar dessa delícia da cozinha italiana, quase sempre maculada pela CPI, sigla inglesa que quer dizer, “Corrupt Politician is Innocent”, ou, “Político Corrupto é Inocente”.

“Só se for no Brasil!”, gritei.

Todas as mesas ao meu redor me olharam e um garçom português correu assustado em minha direção perguntando: “ó gagio, estás bem?”.

Enquanto me acalmava com um saboroso suco de maracujá, tentando entender como um português conseguiu trabalhar num restaurante italiano no Brasil, coisas da globalização, lembrei do mito de que todas as pessoas são inocentes até que se prove o contrário.

Mas a pizza é a exceção! No Brasil, não se pode provar o contrário! Além de antiético, é um desrespeito a um “acordo de cavalheiros”. Não pode, não pode, não pode ou morre!

Percebi, então, que nesse país tudo acaba em pizza, até mesmo o meu dia de trabalho!

Enquanto a pizza é preparada, a população é temperada com outros dissabores da vida. É como a terapia chinesa: se você está com dor no ombro, martela o dedo e esquece o que havia antes. Talvez seja o excesso de informação da mídia, ou talvez… a falta de memória… do povo… que, talvez… hummm… Esquece!

Engraçado que quando o garçom me serviu, as bordas estavam levemente queimadas. Mas por que a pizza deles não queima? Não queima, não dá sinal de fumaça, não chama a atenção. Simplesmente é retirada do forno, amistosamente dividida entre os correligionários da irmandade política e saboreada na frente de todos. E ninguém vê!

Lembrando o que escreveu Joelmir Beting no texto “O Viajante”, também sendo um pouco deselegante, digo que Lula, que muito viaja (e como viaja!), talvez não tenha tempo para preparar as pizzas, mas com certeza deve arrumar meios de saboreá-las.

Eu, após comer a minha, paguei a conta… um pouco cara, confesso. Mas, infelizmente, esse é o preço que a gente tem que pagar!

Já de saída, o garçom corre novamente em minha direção e me pede propina.

Puxa vida, aí já é demais! “Quer caixa dois também?”

Não pude me conter, e pela segunda vez, gritei no recinto:

“Tinha que ser no Brasil!”

Todas as mesas ao meu redor novamente me olharam e o portuga assustado me explicou: “ó gagio, a propina é pelo serviço”. (Em Portugal, propina quer dizer gorjeta e não suborno).

Após as devidas explicações, timidamente sorri e resolvi pagar a devida propina. Agora sim eu entendia a situação, até porque já fazia parte dela. Ainda envergonhado, me desculpei com todos os presentes e parti dali com meu pedaço da pizza.

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