Made in USA

A cultura brasileira não é nacional

Cíntia Magalhães e Maurício Baccarin

Comida, mídia, cultura. O mundo globalizado abre as portas para a influência norte-americana, principalmente nos países subdesenvolvidos. Centenas de brasileiros não conhecem a expressão “americanizado”, porém 99% dos recursos necessários para a sobrevivência de um jovem globalizado é de origem americana.

Mais de 70% das músicas executadas no Brasil são americanas ou pelo menos cantadas em língua inglesa. Justin Bieber, atual ídolo da juventude, tem mais de 50 fã-clubes somente no Brasil, sendo que, o maior possui 7.706 membros (até 13/10/2010). Essa influência na música, porém, não é de hoje. As músicas de Elvis Presley, Chuck Berry, Madonna, Johnny Cash e Celine Dion, entre outros, continuam presentes na cultura brasileira.

O fast-food segue forte no dia a dia dos brasileiros. A primeira lanchonete da marca Mc Donalds foi instalada em 1979 no Rio de Janeiro e dois anos depois na cidade de São Paulo e desde então não parou de crescer. Hoje, são mais de 1.100 pontos-de-venda espalhados em 22 estados do Brasil. Além disso, recentemente, um grupo de empresários cariocas comprou a rede Burger King, pelo valor de quatro bilhões de dólares.

Segundo o sociólogo e professor da Escola Estadual Marechal Rondon, Alessandro Lima, o imperialismo sempre existiu na história da humanidade. “A atual influência dos EUA nada mais é que a dominação do mais forte sobre o mais fraco. A exceção é que hoje essa “dominação” é sob a forma de influência”.

Uma das ferramentas utilizadas pela potência mundial é o domínio das mídias. Cerca de 65% das informações relacionadas a todos os meios de comunicação do mundo pertencem aos norte-americanos.

Produções americanas de filmes, documentários, seriados e desenhos são sucessos constantes no Brasil. Titanic, lançado em 1997, foi assistido por 16,3 milhões de brasileiros, número nunca alcançado por uma produção brasileira. Já o filme nacional de maior bilheteria é o Tropa de Elite I, com aproximadamente 2,5 milhões de espectadores.

A garçonete Íris de Souza, 22 anos, reserva parte do salário para pagar a TV por assinatura. “Aproveito para assistir a programas mais variados, já que na TV aberta não tenho tantas opções. Além disso, ainda posso treinar meu inglês”. Empresas como Sky e Net reservam semanalmente apenas 3,5 horas para programas brasileiros.

O fato é que muitas palavras da língua inglesa já fazem parte do vocabulário dos brasileiros, mesmo não sendo plenamente compreendidas. Elas também podem ser vistas em nomes de estabelecimentos comerciais, ruas, bairros, cidades, camisetas e peças publicitárias. Assim começa a influência norte-americana na cultura brasileira.

Para redigir esse texto, por exemplo, não precisei ir a uma lan house acessar a alguns websites porque agora tenho internet em casa. Esta noite inclusive, após o meu shift no trabalho, Jennifer e eu planejamos assistir uma stand-up comedy e comer um hot dog no shopping center.

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1 Comentário

Filed under Cotidiano

One response to “Made in USA

  1. Olá Maurício,

    Já que não falamos mais ao telefone, ou pessoalmente, ou mesmo tocamos um Blues… Então falarei com vc pelo seu blog. Então ai vai:

    O que se pode entender por cultura brasileira? Já que nossa matriz cultural contempla Índios, Europeus, Mouros, Judeus, Negros e mais recentemente Orientais. Trata-se de uma matriz complexa e altamente ductil. Se conforma com facilidade. Enfim, já nascemos imperializados.

    Quanto aos 99% de recursos necessários para sobrevivência, há algo de estranho ai. Quais são estes recursos? São bens de consumo? Se são bens de consumo mais de 80% vem da china para os americanos. Assim, isso deveríamos observar melhor, pois se isso é verdade estamos pagando um “spread”… Ops!!! Seria isso uma elipse? Hahahahahaha

    Quanto a produção artística… Enfim, o tempo para racionalizar uma produção forte, que tenha capacidade de atingir a super estrutura, este tempo já passou e agora o investimento vai ser muito alto. Devemos nos contentar com os efêmeros “Tropa de Elite I e II”

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