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Filosofando sobre verdades predeterminadas

“Penso, logo existo” ja dizia o bom e velho filosofo René Descartes. O fundamento desse pensamento para o filosofo frances do seculo 17, estah na duvida, ou melhor, em duvidar da verdade de todas as coisas. Quando voce duvida, isso te faz pensar… e se voce pensa, voce existe. Para Descartes devemos pensar duvidando dedescartes tudo, convencido de que tanto a opinião tradicional como as experiências da humanidade são guias de mérito duvidoso. E a isso chamamos de pensamento cartesiano, que nada mais eh do que iniciar um pensamento com verdades ou axiomas simples e evidentes por si mesmos, e depois raciocinar com base nele, até chegar a conclusões particulares.

Assim, essa seria uma forma filosofica de se comprovar a nossa existencia, sendo “existencia” a qualidade de tudo o que é real ou existe e a base de todas as outras coisas.

Jean Paul Sartre, tambem filosofo frances, mas do seculo 20, estudou a fundo a “existencia” e as relacoes da consciencia. Segundo Sartre, para explicar as relações da consciência é preciso determinar dois seres: o ser “Em-si” e o ser “Para-si”.
Podemos entender um ser “Em-si” como qualquer objeto existente no mundo e que não é nada além daquilo que é. Eh fundamentado em três características: o ser é, o ser é o que é, o ser é em-si. A grosso modo, pode ser uma cadeira, um inseto ou qualquer outro ente que nao tenha consciencia de si ou do mundo. Ele apenas é.
Ja o ser “Para-si” faz relações temporais e funcionais entre os seres “Em-si” e “Para-si”. Aosartre fazer isso, constrói um sentido para o mundo em que vive.
Em outras palavras e ainda a grosso modo: seres “Em-si” tem uma essencia que antecede a sua existencia, uma essencia pre-determinada. Um exemplo seria a cadeira: antes de ser cadeira (existir), ela foi planejada e construida para ser uma cadeira (essencia). Ja os seres “Para-si” (ateh onde sabemos, somente os sao os seres humanos) possuem a existencia que precede e governa a essencia. Por esta razao, o ser “Para-si” tem a liberdade de fazer de si o que quiser.

Voce pode perguntar: “qual o sentido da minha vida? Por que eu existo?” E a resposta que Sartre talvez te daria seria: voce eh livre para decidir. A sua existencia precede a sua essencia e voce, por isso, eh livre para decidir qualquer coisa e mudar a sua vida a qualquer momento. Voce pode dizer que existe para ensinar, e então estudar para ser professor. Ou voce pode dizer que existe para jogar futebol e tentar entrar em um time e ficar famoso. Voce pode ainda decidir que existe para louvar a Deus e comecar a frequentar uma igreja, mesquita ou sinagoga. A decisao sempre vai ser sua porque voce estah condenado a ser livre. A responsabilidade de decidir e assumir as consequencias de cada decisao sua, eh sua. (Estamos na filosofia de Sartre. Nao vamos abordar o Marxismo nesse texto). Se voce leu ate aqui: obrigado, pela paciencia… rsrs. Voce chegou ao ponto onde eu queria chegar e a partir daqui (com base no que voce leu ateh agora, ou seja, na filosofia existencialista), precisaremos recomecar.

Eu trabalho com pessoas de diferentes nacionalidades, culturas e religioes. Um dia falavamos sobre o monoteismo e um grande debate comecou quando o assunto “triunidade de Deus” veio a tona. Logo, surgiu a questao: Por que Deus precisaria ser triuno?
deus-trinoAntes de mais nada, temos que assumir a existencia de Deus (algo que ja contraria o pensamento cartesiano, pois eu posso afirmar que eu existo, mas nao posso comprovar a existencia de Deus). Temos que fazer isso com base em alguma mitologia ou religiao. Como falamos de triunidade, consideraremos a Biblia como a fonte da afirmacao, assumindo assim um pensamento dogmatico (e nao cetico) e aceitando que Deus exista. Vamos entrar num campo “filosofico” perigoso. Mais tarde vou explicar o porque.
Bem, aceitando a existencia de Deus, fazemos entao a pergunta: por que Ele seria ou precisaria ser triuno?
Ao fazer uma rapida pesquisa na internet, me deparei com um texto interessante do blog “Saber e Fe” que, em sua ultima parte, diz:

“Alguns autores dizem que, hipoteticamente, se Deus não existisse em sua forma trinitária, ele sequer poderia existir. Concordamos com eles. A triplicidade em Deus garante sua imutabilidade ao impossibilitar na divindade um aperfeiçoamento progressivo. Este raciocínio baseia-se primeiramente no desenvolvimento da personalidade humana, que só é possível ser estabelecida por intermédio do contato com outra personalidade, necessariamente igual a ela, de outro ser da mesma espécie. Aplicando este raciocínio à divindade, se Deus, antes da criação, não tivesse se relacionado com outro ser igual a ele, ele não teria sua autoconsciência fixada. Acreditamos que, em certo nível (repetimos, em certo nível), pode-se estabelecer a personalidade humana como padrão pelo qual podemos entender a divina, admitindo que, como portadores da Imago Dei, o conceito que temos de personalidade sequer origina-se em nós, mas em Deus. As implicações da ausência de uma autoconsciência em Deus podem atingir patamares dramáticos ao imaginarmos que, se Deus não tivesse amado alguém antes da criação, ele só saberia o que é amar depois de ter criado alguma coisa e, desta forma, ele não seria perfeitamente imutável, já que teria aprendido algo. Ainda, se Deus não tivesse tido contato com outro ser exatamente igual a ele, ele jamais seria um Ser pessoal e autoconsciente. Agora, quem ele poderia ter amado antes da criação se nada existia a não ser ele próprio? Com quem o Senhor teria se relacionado antes da criação se não havia ninguém com quem ele pudesse se relacionar? A resposta a estas duas perguntas reside na existência trinitária de Deus.
Justamente por isso, o Senhor é o Deus que conhecemos. Ele sempre existiu em três pessoas e, por isso, sempre teve autoconsciência, pois sempre esteve em relacionamento interno. Desta forma, se Deus não fosse trino, ele não teria a natureza que revelou possuir, não teria os atributos que mostrou deter. Não haveria um Deus perfeito e imutável, logo, não poderia haver salvação. Conclui-se que o Senhor, tal como ele revelou a si mesmo, existe em uma triunidade.”

 

E logo abaixo, nos comentarios, um internauta chamado “Vagner” rebate:

“Totalmente infundado, Deus é o próprio amor, ele não precisava de outra pessoa para saber o que é amar, ele é o próprio amor: 1joao 5:8 – Deus é amor”

 

Aqui nos vemos diante de dois posicionamentos: o do internauta que, ao citar o versiculo biblico que diz que “Deus eh amor”, se fecha ao questionamento. Ele nao demonstra interesse em querer entender melhor como seria Deus e, passivamente, aceita a doutrina biblica (dogmatismo); e o do autor do texto que explica a importancia de se crer na doutrina trinitaria por meio de uma comparacao do homem com Deus. Essa comparacao faz todo o sentido, uma vez que o homem foi criado segundo a imagem e semelhanca de Deus (Gen 1:27) e, a partir da analise da criatura poderiamos deduzir como seria o Criador. No entanto, eh aqui que embarcamos no “campo filosofico perigoso” que citei anteriormente.
Eh muito perigoso filosofar sobre verdades pre-estabelecidas (neste caso especifico, sobre os dogmas biblicos). No inicio desse texto escrevi que, para Descartes, devemos pensar duvidando de tudo, convencido de que tanto a opinião tradicional como as experiências da humanidade são guias de mérito duvidoso. Do contrario, podemos chegar a conclusoes desastrosas. Vou dar um exemplo sobre isso: livre
O Criador dos ceus e da terra deu ao homem o livre-arbitrio. A expressao em si nao estah na Biblia, mas logo no segundo capítulo do livro de Gênesis, Deus fala com Adão, dizendo que ele tinha uma escolha, a de não comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. (Gênesis 2:16-17). Enfim, como falado anteriormente, Sartre entende a liberdade como uma condenacao, ja que o ser humano (Para-si) tem a consciencia de que eh e pode decidir para si o que quer (ignorando ou nao as consequencias de sua decisao). Para os que creem na Biblia, Deus “agracia” o homem com o livre-arbitrio para que ele possa decidir se quer louva-Lo e ser salvo ou ignora-Lo/desobedece-Lo e ser condenado.
Mas por que Deus “presenteou” o homem com o livre-arbitrio?
Para defender a existencia do Deus biblico [onipotente (Gênesis 17:1), onisciente (Jeremias 10:12) e onipresente (Salmos 139:7-8)], o autor do texto acima diz que a trindade garante a imutabilidade de Deus, nao deixando que Ele se aperfeicoe – porque Ele ja seria perfeito.
Sendo Deus onisciente, Ele ja sabia que o homem pecaria se desse a este o livre-arbitrio. Entao, por que o fez mesmo assim? Seria Deus um ente que tem prazer em ver a sua criatura sofrer? Ou quer Deus que o homem siga um processo evolutivo?
doubtSe Deus quer que o homem siga um processo evolutivo, por que Deus o fez imperfeito para que entrasse numa jornada em busca da perfeicao (a qual o homem nunca alcancara, uma vez que a perfeicao esta em Deus e, a partir do momento que algum homem consiga atingir a perfeicao, este tera alcancado a Deus… ou quiça, se tornado um outro deus – impossivel dentro da crenca monoteista)? E mais: qual o prazer de se criar um ser imperfeito e assisti-lo (talvez auxiliando-lhe, talvez nao) ate a sua perfeicao? Sadismo? E por que Deus, na sua perfeicao, nao criou tudo e a todos perfeitos?
A liberdade biblica fez o homem pecar. Sartre vê a liberdade como uma condenacao. Ha um erro, uma falha, que estaria ou no Criador, ou na Sua criacao ou em ambos. Sendo a liberdade uma verdade (ela existe, afinal de contas!) e falível em si mesma, podemos levantar algumas hipoteses acerca do Criador:
– Ou Deus nao eh onipotente e onisciente; ou
– Deus eh sadico; ou
– Deus nao eh bom; ou
– Deus tem um proposito, mas nao quer revelar. (Algo parecido com o texto de Shakespeare que diz: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar”); ou
– Deus nao existe;
Nas 4 primeiras hipoteses, haveria uma falha (ou de poder ou de caráter) em Deus. Na ultima, teriamos que aceitar a sua inexistencia.
Assim, a existencia da liberdade no homem (sendo essa o livre-arbitrio ou uma condenacao), seria um “pequeno exemplo” de como o poder, a existencia ou o carater de Deus (sempre referindo-me ao Deus da Biblia) poderia ser colocado em cheque. Varios outros exemplos poderiam ser citados (mas o texto ficaria mais longo do que ja estah) sobre o problema de se filosofar sobre verdades pre-determinadas (em qualquer mitologia ou religiao).
Bem, e quanto a triunidade de Deus?
Infelizmente a filosofia nao consegue nem comprovar de fato a existencia de Deus, muito menos certificaria sobre a sua trindade. Mas eu creio que a melhor resposta para essa pergunta seria: Depende de voce! Depende do que voce prefere acreditar, ja que voce esta condenado a ser livre.

PS: Nao agrega ao texto, mas soh para constar: sou deista, e portanto, acredito – atraves do livre pensamento – que uma forca superior criou o universo e tudo o que nele ha. Nao creio que Deus interfira na sua criacao (revelacao direta ou milagres) e nem nas leis da natureza.

 

 

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Liberdade de Imprensa e Poder Judiciário

Débora Santos do G1

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, defendeu a liberdade de atuação da imprensa no Brasil nesta sexta-feira (28) e falou sobre o papel da imprensa de aproximar a sociedade do Judiciário. Para ele, é importante que jornalistas e juízes aprendam juntos e tenham um relacionamento “respeitoso”.

“O Judiciário talvez seja o menos conhecido dos três poderes. [O juiz] tem que aprender que jornalista não é inimigo. Nós tínhamos muito medo da imprensa e mantínhamos uma distância que considerávamos saudável. Essa cultura vem mudando vigorosamente. Os juízes hoje estão entendendo melhor o papel da imprensa”, disse o presidente do STF.

Peluso e outros ministros do STF participaram da abertura do fórum “Liberdade de Imprensa e Poder Judiciário”, promovido pelo STF e pela Associação Nacional de Jornais (ANJ).

O evento reuniu juristas, parlamentares e organizações sociais da América Latina e comunicadores e a diretoria da ANJ, entre eles o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho.

“Precisamos ser mais comunicativos e talvez imprensa possa ser um pouco mais indagativa na compreensão das coisas do Judiciário”, concluiu o presidente do STF.

O diretor da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, sigla em espanhol), Julio Muñoz, fez críticas à relação entre imprensa e o Judiciário brasileiro. Segundo ele, lei e norma que garantem a liberdade de atuação da mídia têm evoluído nas Américas, mas no Brasil, afirmou Muñoz, a Justiça ainda impõe alguma censura.

Ele citou o caso do jornal “O Estado de S.Paulo”, proibido pela Justiça, há dois anos, de ter acesso a documentos de investigação sobre o empresário Fernando Sarney.

“Existe a censura prévia imposta por algumas autoridades da Justiça. [O caso de] ‘O Estado de S. Paulo’ representa, sem dúvida, uma mancha negra na imprensa da democracia”, afirmou o diretor da entidade.

Prêmio
No evento, a ANJ entregou o prêmio Liberdade de Imprensa ao jornal argentino “Clarín”, pelo esforço em busca de um “jornalismo independente”.

Para a presidente da ANJ, Judith Brito, a Argentina está passando por um processo “preocupante” de reversão da tradição democrática.

“Nossa premiação ao ‘Clarín’ simboliza essa nossa preocupação e essa nossa solidariedade à imprensa argentina, que vem sofrendo essa pressão”, afirmou a presidente da entidade.

A premiação foi criada com o objetivo de homenagear pessoas, jornais ou instituições que tenham se destacado na promoção ou defesa da liberdade de imprensa.

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