Tag Archives: radicalismo

O “Fator Melquisedeque” seria o final do radicalismo?

“Uma vez por ano, os artesãos de uma tribo da Indonésia constroem um barco de madeira em miniatura e o levam à beira do rio. O chefe religioso da tribo amarra uma galinha num lado do barquinho e coloca uma lanterna acesa no outro lado. Logo em seguida, cada membro da tribo passa perto do barquinho e coloca um objeto invisível entre a galinha e a lanterna. Quando se pergunta às pessoas o que deixaram no barquinho, elas respondem: meu pecado. Depois, o chefe deixa o barquinho ser levado pela correnteza do rio, enquanto os expectadores gritam: Estamos salvos!”

Narrando essa e outras 25 histórias, Don Richardson conclui que existe uma Revelação Geral de Deus a todos os povos e ele a denomina: “O Fator Melquisedeque” (tema de seu livro). O nome do livro baseia-se na personagem do livro bíblico de Gênesis que era um sábio rei de uma terra chamada Salém e “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gênesis 14:18 ) a quem Abraão prestou homenagem.

Apesar de Abraão e Melquisedeque não pertencerem ao mesmo povo, ao falarem de Deus entre si, perceberam que falavam do mesmo Deus. Mas, e as diferenças culturais?

Os mais fanáticos não aceitarão o que vou descrever, mas já quero deixar você, caro leitor, preparado: não escrevo seguindo nenhuma doutrina, seita ou religião, mas baseado no logos e em mais uma das diversas tentativas de se contemplar a verdade, conforme diz Aristóteles na Metafísica.

Não há registro em qualquer estudo por parte da História, Antropologia, Sociologia ou qualquer outra “ciência” social, de um agrupamento humano em qualquer época que não tenha professado algum tipo de crença religiosa. As religiões são, então, um fenômeno inerente à cultura humana assim como as artes e as técnicas. Além disso, elas têm muitos pontos coincidentes.

Segundo Helena Blavatsky, todas as religiões e filosofias concordam em sua essência, diferindo apenas na “vestimenta”, pois todas foram inspiradas no que ela chamou de “Religião-Verdade”.

Conforme descrevo em meu livro, “O Primeiro Dia”, ainda não publicado, onde o foco principal não é o de descrever as semelhanças das religiões, mas sim o de filosofar acerca da criação e do Criador, dou uma “pincelada” sobre essas semelhanças. Não podemos negar que as religiões são iguais em sua essência porque os seres humanos também os são! As distorções que existem são meramente culturais.

Em meu livro cito o exemplo do número 3 relacionado ao ser criador: “A tríade não aparece somente no cristianismo, mas também é utilizada em diversas outras religiões. Usaremos como exemplo as seguintes:

Trimurti hindu:  Brahma (criador), Vishnu (conservador), Shiva (destruidor)

No Egito podemos citar:
Tríade menfita: deus Ptah, sua esposa Sekhmet e seu filho Nefertoum
Tríade osiriana: Osíris, Isis e Horus
Tríade tebana:  Amon, Mout e Khonsou

E ainda poderíamos multiplicar os exemplos na maioria das religiões
Taoísmo: Yang (claridade), Yin (escuridão) e Tao (caminho)
Sumérios/Acádios:  Shamash (Sol), Sin (Lua) e Ishtar (Vênus)”

Por uma questão de escopo e espaço não vou detalhá-las, mas tenho que concordar com Helena Blavatsky em sua afirmação: “todas as religiões e filosofias concordam em sua essência, diferindo apenas na “vestimenta”.

Parece que os cristãos estão dando um importante passo nessa direção. O “Fator Melquisedeque” é a busca da essência de Deus nos diversos povos e religiões. É o reconhecimento de que Deus é maior que tudo (inclusive religiões) e todos, e quer se fazer revelar em todos os lugares.

Era muito fácil chegar num país, numa nova cultura, e dizer que todos estavam cultuando o “diabo” e que precisavam se converter ao cristianismo! O mais árduo, porém mais lógico e interessante, é reconhecer a essência de Deus nas religiões. As distorções culturais que ocorrem são um mero detalhe.

Você, querido leitor, poderia me questionar: “Você está querendo dizer que todos os caminhos levam a Deus?”

Eu responderia: “se conseguirmos provar que “todos os caminhos” na verdade são “um único caminho”, sim!”

É fato, porém, que estamos longe de evitarmos o radicalismo porque a nossa crença mexe com as nossas convicções e fé, e assim nos fragilizamos.

Mas, não podemos tentar convencer o outro das nossas crenças e não querer ouvir o que este outro tem a dizer sobre o que ele crê… isso é radicalismo! E, cá entre nós: “Estamos bem longe de evitá-lo!”

Fontes:

http://www.bibliaonline.com.br

http://www.priberam.pt

BACCARIN, Maurício; O Primeiro Dia.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia: Patrística e Escolástica.2.ed. São Paulo: Paulus, 2005, v.2.

RICHARDSON, Don; O Fator Melquisedeque. Edições Vida Nova.

Anúncios

5 comentários

Filed under Religião